30/09/2022

Conheça as principais mudanças da nova Norma ABNT NBR IEC 60079-10-1 para atmosferas explosivas

Em áreas onde quantidades e concentrações perigosas de vapores ou gases inflamáveis podem ocorrer, medidas de proteção necessitam ser aplicadas.

Foi publicada pela ABNT, no dia 8 de setembro, a terceira edição da Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-10-1 – Atmosferas explosivas – Parte 10-1: Classificação de áreas – Atmosferas explosivas de gases inflamáveis.

Instalações em que as substâncias inflamáveis são processadas ou armazenadas devem ser projetadas, construídas, operadas e mantidas, de modo que qualquer liberação de substâncias inflamáveis e, consequentemente, a extensão das áreas classificadas sejam minimizadas, em operação normal ou anormal, com relação à frequência, duração e quantidade da liberação.

Em áreas onde quantidades e concentrações perigosas de vapores ou gases inflamáveis podem ocorrer, medidas de proteção necessitam ser aplicadas de forma a reduzir o risco de explosões. Esta Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-10-1 estabelece os critérios essenciais nos quais o risco de ignição deve ser avaliado e representa um guia para o projeto e o controle de parâmetros que podem ser utilizados para reduzir estes riscos.

Esta Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-10-1 refere-se à classificação de áreas onde pode ocorrer a presença de gases ou vapores inflamáveis e pode ser utilizada como base para a seleção e instalação adequadas de equipamentos de instrumentação, automação, telecomunicações, elétricos ou mecânicos para utilização em áreas classificadas.

 

Classificação de áreas

Para o objetivo desta Norma, uma área classificada é considerada uma região ou espaço tridimensional. No presente momento uma grande quantidade de documentos de classificação de áreas é executada em modelos tridimensionais, por meio de programas de computador colaborativos e multidisciplinares do tipo CAD 3D, com bancos de dados compartilhados na “nuvem”.

Na maioria das situações práticas em que substâncias inflamáveis são utilizadas, é difícil assegurar que a presença de uma atmosfera explosiva de gás nunca irá ocorrer. Pode também ser difícil assegurar que os equipamentos “Ex” de instrumentação, automação, telecomunicações, elétricos ou mecânicos nunca constituirão fontes de ignição.

Desta forma, em situações em que exista uma alta probabilidade de ocorrência de uma atmosfera explosiva de gases inflamáveis, a confiabilidade é obtida pela utilização de equipamentos “Ex” que possuam uma baixa probabilidade de se tornarem fontes de ignição, ou, por outro lado um EPL alto. Por outro lado, onde houver uma baixa probabilidade de ocorrência de uma atmosfera explosiva de gás, equipamentos “Ex” construídos com requisitos menos rigorosos, ou com EPL adequado, podem ser utilizados.

A classificação de áreas é um método de análise e classificação de ambientes em que uma atmosfera explosiva de gases inflamáveis possa ocorrer, de modo a facilitar a adequada seleção, instalação, operação, inspeção, manutenção e recuperação de equipamentos “Ex” a serem instalados ou utilizados com segurança nestes ambientes.

A classificação também leva em consideração as características de ignição dos gases ou vapores inflamáveis, como energia de ignição e temperatura de ignição. A classificação de áreas possui dois objetivos principais: a determinação do tipo das áreas classificadas (grupos e classes de temperatura) e a extensão das zonas.

Para a elaboração da documentação de classificação de áreas é necessário coletar uma série de dados e informações sobre o processo envolvido e os respectivos equipamentos de processo existentes ou a serem instalados. Dentre os dados de processo requeridos podem ser citados: tipos de substâncias inflamáveis ou combustíveis processadas, pressão, vazão, inventário, temperatura, ponto de fulgor, limite inferior de inflamabilidade (LII), temperatura de ignição, grau das fontes de liberação e grau de ventilação dos locais de instalação dos equipamentos de processo.

Desenhos de classificação de áreas indicam as extensões ao redor dos equipamentos de processo que são consideradas áreas classificadas. São indicadas também nestes desenhos de classificação de áreas informações sobre os tipos de Zonas (0, 1, 2, 20, 21 ou 22), Grupos (IIA, IIB, IIC, IIIA, IIIB ou IIIC), bem como a classe de temperatura dos gases inflamáveis (T1 a T6) ou a temperatura de ignição das poeiras combustíveis.

 

Revisão periódica

 

A Edição 2022 da ABNT NBR IEC 60079-10-1 é idêntica à Edição 3.0 da IEC 60079-10-1, publicada em 2020 pelo Subcomitê SC 31J (Instalações e classificação de áreas) do TC 31 da IEC (Equipamentos para atmosferas explosivas). Esta terceira edição da ABNT cancelou e substituiu a segunda edição, publicada em 2018.

É importante ressaltar que a Edição 1.0 da Norma internacional IEC 79-10 foi publicada em 1972. Desde então, ao longo dos últimos 50 anos, esta norma tem sido periodicamente revisada, atualizada e aprimorada, com a participação e consenso dos países participantes do Subcomitê SC 31J do TC-31 da IEC (incluindo o Brasil).

Dentre as alterações mais significativas incluídas nesta edição 2022 da Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-10-1 em relação à edição anterior (2018) podem ser citadas as seguintes:

 

  • Atualização de termos e definições
  • Remoção da definição de “falha catastrófica
  • Introdução de novos requisitos sobre zonas de extensão desprezível
  • Introdução de nova Figura sobre “volume de diluição
  • Revisão, atualização e retirada de equações representativas de liberações de produtos
  • Atualização das equações sobre “taxa de evaporação”, de forma a alinhar com as recentes modificações de “fontes de liberação
  • Atualização do gráfico “Taxa de evaporação volumétrica específica para líquidos”, de acordo com a atualização das equações para taxa de evaporação e velocidade de ventilação de 0,25 m/s
  • Remoção do fator de segurança “k” e sua retirada do eixo horizontal do gráfico para avaliação do grau de diluição
  • Atualização do Anexo G sobre “névoas inflamáveis
  • Incluídas novas normas, códigos ou práticas recomendadas na Tabela K.1 – Exemplos de códigos industriais e normas estrangeiras aplicáveis
  • Incluídas novas referências bibliográficas

 

Fonte:
Revista Cipa